top of page

APRESENTAÇÕES DE APRENDIZAGEM: UM ATO DE AVALIAÇÃO, VISIBILIZAÇÃO E RECONHECIMENTO

  • Foto del escritor: Mora del Fresno
    Mora del Fresno
  • 9 dic 2025
  • 4 Min. de lectura

Actualizado: 10 dic 2025

Garcia, A. (2025). [Bruna ensaia a sua apresentação de aprendizagem na frente de dois professores e vários colegas, no instituto escola Les Vinyes] [Fotografia]. El País. https://elpais.com/educacion/2025-05-23/el-metodo-educativo-opuesto-al-atracon-de-la-selectividad-las-presentaciones-de-aprendizaje.html
Garcia, A. (2025). [Bruna ensaia a sua apresentação de aprendizagem na frente de dois professores e vários colegas, no instituto escola Les Vinyes] [Fotografia]. El País. https://elpais.com/educacion/2025-05-23/el-metodo-educativo-opuesto-al-atracon-de-la-selectividad-las-presentaciones-de-aprendizaje.html

Esta semana vivi duas experiências educativas de avaliação e reconhecimento que quero partilhar. Na quarta-feira estive no Institut Escola Les Vinyes, em Castellbisbal, e hoje no Institut Angeleta Ferrer, em Barcelona. Em ambos os centros, fui convidada a participar nas POL – apresentações de aprendizagem de final de ano – de estudantes do ensino secundário.


Estas apresentações são uma prática de avaliação formativa muito significativa, que merece ser contada. Cada estudante dispõe de um espaço individual de cerca de 15 a 20 minutos para partilhar tudo o que aprendeu ao longo do ano. Fazem-no trazendo evidências concretas dessas aprendizagens, organizadas em diferentes dimensões: aprendizagens académicas, pessoais, sociais e projetos realizados. Também partilham os seus desafios, os seus objetivos futuros e, no final, agradecem às pessoas que foram fundamentais no seu percurso.


A apresentação não começa diretamente com a exposição do aluno ou aluna. Antes disso, outra pessoa — escolhida por ele ou por ela — faz a sua apresentação diante de todos os convidados, geralmente um amigo ou amiga da turma. Essa pessoa toma a palavra para reconhecer publicamente quem é aquele estudante, quais são as suas forças e qual é o vínculo entre ambos. Um gesto simples, mas poderoso, que cria o clima de solenidade que caracteriza a apresentação de aprendizagem.


Depois inicia-se a apresentação do estudante, e no público estão as pessoas que ele ou ela decidiu convidar: colegas, amigos, familiares, professores do centro (atuais ou anteriores), antigos professores do ensino primário, a vizinha, o treinador de futebol… pessoas significativas. Em algumas apresentações há muitas pessoas porque o aluno ou aluna assim o quis; noutras está apenas a família ou algum colega, porque o estudante preferiu um momento mais íntimo. Também participam o tutor ou tutora, outro docente do centro e um painelista externo, ligado ao mundo educativo. E é importante sublinhar: não se trata de um ato coletivo. É um ato individual, construído para e por aquele estudante, a que assistem as pessoas que fizeram parte da sua trajetória.


Após a apresentação, chega o momento do feedback. Primeiro fala o painelista externo, depois o tutor ou tutora e o outro docente do centro. E por fim, também a família ou outras pessoas presentes. É um espaço cuidadosamente preparado, onde o feedback é formativo, afetuoso, honesto e profundo.


Ouvi docentes emocionarem-se ao falar com os seus estudantes, dizendo coisas como: “Estou muito orgulhosa de ti”, “Gosto muito de ser tua professora”, “Quero aproveitar este momento para reconhecer publicamente aquilo que fizeste”, “Antes era difícil para ti e agora vê o que conseguiste”. Também ouvi comentários para continuar a crescer: “Tens de acreditar que és capaz”, diziam a um aluno; “Tens muito potencial, mas o medo de te enganares trava-te”.


E é isto que gostaria de sublinhar: esta prática não é apenas uma forma diferente de avaliar. É uma expressão clara de reconhecimento no seu estado mais puro, tal como o trabalhamos no Instituto Relacional. Inclusive, um dos nossos lemas é “aprendo quando me reconheces”.


Porque aqui não se reconhece apenas o desempenho, mas o caminho e o esforço da pessoa. Há reconhecimento da sua história, das suas forças, da sua dignidade. O estudante é quem primeiro reconhece o que aprendeu, o que lhe custou e o que quer melhorar. E depois, o seu entorno, reunido em torno dele ou dela, também o faz.


Esta prática fez-me lembrar aquela frase que diz que “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Esta é uma cena que torna visível essa aldeia. Porque o que ali acontece é um banho de reconhecimento para quem apresenta e para todas as pessoas que o acompanharam.


Também me fez pensar em algo que há muito tempo vimos trabalhando e defendendo (particularmente a partir do EDUR): que o relacional não é apenas aquilo que acontece espontaneamente entre pessoas, por afinidade ou acaso. O relacional também pode ser desenhado, organizado e sustentado a partir de decisões institucionais. O relacional pode fazer parte estrutural de um projeto educativo.


Estas apresentações de aprendizagem são um exemplo muito claro disso. Não são apenas um momento emocional ou simbólico: existe por trás um compromisso organizativo com a intenção de gerar aprendizagem e reconhecimento. Há uma direção que decide priorizar isto, docentes que adaptam horários, estruturas desenhadas para que cada estudante tenha o seu espaço, o seu momento, o seu reconhecimento. É o relacional convertido em prática educativa concreta, visível, formal.


Porque o que se vive ali não é uma avaliação que assusta ou que castiga. É uma avaliação que reconhece, que alegra, que compromete a continuar a aprender.


Acredito que é importante contar isto. Porque mostra que sim, é possível fazer escola de outra maneira. Que sim, é possível construir uma avaliação que olhe para o processo, que convide à reflexão e que coloque no centro o reconhecimento do trabalho realizado, da singularidade de cada estudante e do seu percurso de crescimento.





 
 
 
bottom of page